Benito Antonio Martínez Ocasio cresceu em Vega Baja, um município rural de Porto Rico atingido por furacões, apagões e uma economia que levou os jovens a emigrar. Hoje, assim como Bad Bunny, ele é o artista latino mais ouvido da história no Spotify, protagonista do Super Bowl e símbolo de uma geração que se recusa a pedir desculpas por ser quem é. Mas o caminho entre esses dois pontos é cheio de escuridão, solidão e uma resiliência que Júlia Cameron Eu reconheceria instantaneamente.
Vega Baja: um menino tímido que cantava na igreja
Poucos o associariam hoje à timidez, mas Bad Bunny era uma criança quieta. Ele cantava no coral da igreja de sua cidade, e sua mãe conta que ele se escondeu atrás de uma cortina para que não o vissem enquanto cantava. Seu primeiro contato com a música não foi o reggaeton — foi a música religiosa e os boleros que sua avó ouvia.
No ensino médio ele descobriu o reggaeton e o rap, mas seu ambiente lhe dizia que a música não era um trabalho sério. Seu pai era motorista de caminhão; sua mãe, professora aposentada. A expectativa era estudar, conseguir um emprego estável, não correr atrás de sonhos. Benito estudou comunicação audiovisual na Universidade de Porto Rico, mas nunca parou de gravar música em seu quarto.
Julia Cameron fala sobre "os censores internos": aquelas vozes - às vezes a sua, às vezes a da sua família - que lhe dizem que ser artista é irresponsável, que a criatividade é um luxo que você não pode pagar. Bad Bunny ouviu essas vozes durante anos. E ele ignorou todos eles.
"Não acredite nas vozes que dizem que você não consegue. As vozes que importam são aquelas que dizem para você tentar."
O empacotador de supermercado que carregou músicas no SoundCloud
Antes que alguém soubesse quem ele era, Bad Bunny trabalhava empacotando sacolas em um supermercado Econo em Vega Baja. Durante o dia fiz as malas; À noite, ele gravava músicas em seu quarto e as carregava no SoundCloud. Sem contatos na indústria, sem estúdio profissional, sem dinheiro para produção.
Em 2016, sua música "Diles" chegou aos ouvidos do produtor DJ Luian, que o contratou para seu selo Hear This Music. Foi o primeiro empurrão. Mas o que veio a seguir não foi um mar de rosas: as primeiras músicas não decolaram, os shows eram pequenos e a indústria do reggaeton não sabia o que fazer com um cara que cantava com voz anasalada, pintava as unhas e se recusava a se enquadrar no estereótipo do macho latino.
Quebrando todas as regras do gênero
"Estou pior" (2017) foi o ponto de viragem. A música explodiu no YouTube e posicionou Bad Bunny como algo que a indústria não tinha visto: um tocador de reggaeton que não seguia as regras. Ele não fez música para agradar ninguém. Ele se vestia como queria. Falou de vulnerabilidade em um gênero onde vulnerabilidade era fraqueza.
Seu primeiro álbum, X 100PRÉ (2018), confirmaram que não se tratava de uma moda passageira. Ele misturou trap, pop, rock e reggaeton com uma liberdade que muitos artistas consagrados invejavam. O álbum vendeu milhões e o catapultou para turnês internacionais.
Cameron chama isso de "o salto de fé": o momento em que você decide que sua visão artística vale mais que a aprovação do mercado. Bad Bunny não perguntou se o mundo estava pronto para ele. Ele simplesmente apareceu.
A escuridão por trás da fama: ansiedade e exaustão
Em 2020, durante a pandemia, Bad Bunny lançou três álbuns — YHLQMDLG, Os que não iam sair y A Última Volta ao Mundo. Era uma produtividade incrível, mas por trás havia outra coisa: uma necessidade compulsiva de criar para não enfrentar o vazio.
Em entrevistas posteriores, Benito falou de muita ansiedade, da pressão de ser o artista mais ouvido do planeta, de sentir que não conseguia parar porque se parasse tudo iria desmoronar. É o que Cameron descreve como "vício em trabalho criativo" — quando criar deixa de ser libertação e passa a ser mais uma forma de fuga.
O disco Um verão sem você (2022) foi sua resposta mais honesta para aquele momento: um álbum alegre e festivo, mas com letras que falavam de perda, nostalgia e busca pela paz. Tornou-se o álbum em espanhol mais transmitido na história do Spotify e passou semanas no topo da Billboard 200.
“Criatividade não é produzir mais. É ter coragem de produzir o que é verdadeiro.”
Super Bowl 2026: Porto Rico no centro do mundo
Em 8 de fevereiro de 2026, Bad Bunny se tornou o primeiro artista latino a estrelar show do intervalo do Super Bowl. O palco reproduzia as ruas de Porto Rico: luzes de neon, armazéns, a Velha San Juan. A actuação incluiu canções como "Tití Me Preguntó" e "Dakiti", mas também um momento de silêncio dedicado a Porto Rico e aos apagões que a ilha continua a sofrer.
Após o show, "El Apagón" — música que denuncia a crise energética e a gentrificação de Porto Rico — voltou às paradas. Bad Bunny não apenas divertiu o mundo; ele usou a maior plataforma do planeta para falar sobre o que era importante para ele. É assim que Cameron chama “o artista como canal”: alguém que não cria para si, mas para algo maior.
Seu novo álbum, lançado em 2026 pela Interscope Records, consolidou sua posição como o artista latino mais importante de sua geração. Mas para quem o acompanha desde os tempos do SoundCloud, o mais impressionante continua o mesmo: um garoto de Vega Baja que fez as malas e se recusou a parar de criar.
O que podemos aprender com Bad Bunny para o nosso próprio caminho
Comece onde você está, com o que você tem
Ele não tinha estudo, nem contatos, nem dinheiro. Eu tinha um telefone, SoundCloud e músicas. Isso foi o suficiente. O seu caminho artístico não precisa de condições perfeitas – precisa de você para começar.
Seja você, mesmo que ninguém entenda ainda
Ela pintou as unhas, cantou com voz anasalada, quebrando estereótipos de masculinidade em um gênero dominado por homens. Eles o criticaram ferozmente. Hoje, são essas mesmas coisas que o definem. Seja autêntico antes que o mundo esteja pronto para a sua autenticidade.
Produtividade inquieta é outro tipo de bloqueio
Três álbuns em um ano parecem uma conquista. Mas Bad Bunny reconheceu que se tratava de uma fuga, não de uma criação. Cameron insiste: descansar, brincar, namorar com o artista — são tão criativos quanto trabalhar em estúdio.
Use sua plataforma para algo que importa
Quando você tem o Super Bowl, você pode apenas entreter – ou pode falar sobre os apagões em Porto Rico. O verdadeiro artista não se separa da sua comunidade. Sua arte é sua mensagem.
A história de Bad Bunny é a prova de que o caminho do artista não é glamoroso. É trabalhar num supermercado enquanto você grava músicas à noite. É aguentar ouvir que você não presta. É levantar depois da ansiedade, depois da exaustão, depois que o mundo te colocou em um pedestal que você nunca pediu.
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