O Artist Date é um passeio solo semanal para estimular sua criatividade, parte do método de Júlia Cameron. Em Buenos Aires você pode fazer isso no MALBA ou Bellas Artes, caminhando por Santo Elmo, Recoleta e Palermo, se perdendo nas livrarias da Avenida Corrientes ou entre as cores do Caminito. A regra é ir você sozinho e sem objetivo produtivo.
O encontro com o artista, estilo Buenos Aires
La encontro com o artista É uma das duas ferramentas do método de Júlia Cameron: uma vez por semana você sai você sozinho, algumas horas, para fazer algo que alimente sua imaginação. Não é trabalho nem papelada: é brincar, olhar, deixar-se surpreender. Buenos Aires, com sua intensa vida cultural e bairros tranquilos, torna impossível repetir um compromisso por muito tempo. Aqui estão vinte e duas ideias por zona.
Recoleta e o norte
1. O MALBA. Arte latino-americana do século 20 em um edifício luminoso. Escolha um quarto e fique. Às quartas-feiras costuma haver entrada reduzida.
2. O Museu Nacional de Belas Artes. Coleção enorme e gratuita, de mestres europeus a argentinos. Impossível ficar entediado.
3. Cemitério da Recoleta. Uma cidade de mármore e esculturas, labiríntica e silenciosa. Caminhar entre suas abóbadas é uma experiência estética intensa.
4. O Floralis Genérico. A gigante flor metálica que abre e fecha com o sol, rodeada por um parque. Sente-se e desenhe.
5. A Biblioteca Nacional. A sua arquitetura brutalista e as salas de leitura convidam a passar a tarde entre os livros.
Santo Elmo e o sul com história
6. Santo Elmo durante a semana. Paralelepípedos, casarões, antiquários. Sem a multidão dominical, o bairro mais antigo respira outra coisa.
7. Feira de Santo Elmo, domingo. Antiguidades, arte de rua, música. Não vá às compras: vá ver objetos com história.
8. Caminito, em La Boca. O beco das placas coloridas que Quinquela Martín pintou. Cor pura dos olhos.
9. Museu Quinquela Martín. Ao lado do Caminito, obra do pintor portuário, com vista para o Riachuelo.
10. Plaza Dorrego com café. Sente-se e escreva vendo a vida do bairro passar.
Você não precisa cruzar o oceano para encher o poço. É preciso atravessar o próprio bairro com os olhos de quem olha pela primeira vez.
O encontro com o artistaPalermo e o verde
11. As Florestas de Palermo. Lagos, o roseiral, caminhos para percorrer sem rumo. Caminhar é uma prática criativa, e há muito espaço aqui.
12. O Jardim Japonês. Um oásis de calma com o seu lago de carpas, as suas pontes e o seu silêncio cuidadoso.
13. O MACBA e o Museu Sívori. Arte moderna e contemporânea em diferentes pontos da cidade, para variar a dieta visual.
14. As ruas de Palermo Soho. Design, murais, lojas de autores. Um passeio fotográfico cheio de cor e ideias.
15. Planetário Galileo Galilei. O seu edifício futurista e o parque envolvente são um bom plano para olhar o céu e sonhar.
O centro literário
16. As livrarias da Avenida Corrientes. A rua que não dorme, com livrarias abertas até tarde. Pesquisar saldos e notícias é uma tarefa manual.
17. O Grande Ateneu Esplêndido. Uma das livrarias mais bonitas do mundo, num antigo teatro. Fui até uma caixa com um livro.
18. Café Tortoni ou outro café notável. Sentar-se sozinho num café centenário, com um caderno, é como viajar no tempo.
19. O Teatro Colón por dentro. Uma visita guiada a um dos teatros líricos mais importantes do mundo alimenta qualquer imaginação.
20. O Obelisco e 9 de Julio logo pela manhã. A avenida mais larga do mundo, quase vazia de madrugada, é outra cidade.
Como aproveitar melhor seu encontro em Buenos Aires
Buenos Aires tem um ritmo próprio que deve ser aproveitado. A cidade acorda tarde e vai dormir muito tarde, por isso as primeiras horas da manhã oferecem ruas vazias e luz limpa, perfeitas para caminhar sem gente. Os cafés notáveis – aqueles bares centenários com espelhos e mármore – convidam a ficar horas sem ninguém apressar: pedi um tumbado e abri o caderno, que é uma tradição tão portenha quanto o tango.
Outra vantagem da capital é que quase tudo pode ser percorrido a pé ou conectado por metrô. Escolhi um eixo toda semana – os museus da Recoleta, o literário de Corrientes, o boêmio de Santo Elmo – e percorria-o sem pressa. Preste atenção tanto ao cotidiano quanto ao monumental: as bancas de livros usados, os murais em um corredor, um bandoneon em uma esquina, as livrarias que não fecham. A matéria-prima do artista não está apenas nos grandes museus, mas na textura de uma cidade que respira cultura por toda parte. Leve um pequeno caderno para não perder o que vê.
Para fechar
21. Um cinema de arte. Uma exibição de filme independente, a sós, a meio da tarde, numa das salas históricas do centro.
22. Um café com um caderno em qualquer lugar. O encontro mais simples – uma mesa, um café, uma hora para escrever olhando a rua – costuma ser o mais fértil.
Como em qualquer cidade, o difícil não é escolher o local, mas comparecer. Coloque o compromisso na agenda com dia e horário, vá em frente mesmo que não dê certo e não transforme em papelada. Para mais inspiração, confira nosso 50 ideias para encontros e o guia para fazê-los sem gastar um centavo.
E um último conselho de Buenos Aires: não espere até estar inspirado para ir. A inspiração não precede a citação, ela a segue. Você sai sem vontade, caminha vinte minutos por Santo Elmo ou se senta em um café em Corrientes, e de repente algo se ilumina: uma frase, uma imagem, uma ideia para aquilo que você abandonou. Essa é toda a lógica do método. A citação enche o poço; as páginas matinais, todas as manhãs, desbloqueie-o. Juntos, eles sustentam a sua criatividade ao longo do tempo, em Buenos Aires ou onde quer que você esteja.