O Artist Date é um passeio solo semanal para estimular sua criatividade, parte do método de Júlia Cameron. Em Lima você pode fazer isso no Mali, caminhando pela boemia de Ravina, caminhando pelo calçadão de Miraflores de frente para o Pacífico, folheando a livraria El Virrey ou visitando a Casa Museu Mario Vargas Llosa. A chave é ir você sozinho e sem objetivo produtivo.
Qual é o encontro marcado com o artista (e por que Lima se enquadra)
La encontro com o artista É uma das duas ferramentas do método de Júlia Cameron: uma vez por semana você sai você sozinho, algumas horas, para fazer algo que alimente sua imaginação. Não é trabalho nem tarefas pendentes: é brincar, olhar, deixar-se surpreender. Lima combina mar, história colonial e um cenário artístico animado, especialmente em Ravina. Aqui estão vinte ideias por distrito.
Ravina, a alma boêmia
1. A Ponte dos Suspiros. O recanto mais romântico de Lima, entre casarões coloridos e buganvílias. Desça até o calçadão e olhe o mar.
2. O MATE – Museu Mario Testino. Fotografia de um dos grandes nomes, numa casa republicana restaurada.
3. Museu Pedro de Osma. Arte do vice-reinado em casarão com jardins. Silencioso e deslumbrante.
4. As ruas de Ravina e a sua arte urbana. Murais, galerias, oficinas. Um passeio fotográfico cheio de cor.
5. A Bajada de Banhos. O caminho que desce até ao mar entre casas antigas. Caminhar aqui ao pôr do sol é um compromisso por si só.
Miraflores e o Pacífico
6. O Miraflores Cais. Quilômetros de falésias com vista para o mar, parques e esculturas. Caminhar é uma prática criativa e aqui o mar acompanha.
7. O Parque do Amor. Mosaicos em estilo Gaudi voltados para o Pacífico. Sente-se para escrever olhando para o horizonte.
8. Farol da Marina e Parque Salazar. Pôr do sol sobre o mar que valem o encontro inteiro.
9. A Huaca Pucllana. Uma pirâmide pré-Inca no coração de um bairro moderno. História milenar entre edifícios.
10. A livraria El Virrey. Uma das livrarias mais tradicionais de Lima. Perder-se entre suas prateleiras é um encontro perfeito.
O mar não te pede nada. Está ali, enorme, lembrando que há muito espaço para tudo o que você deseja criar.
O encontro com o artistaO centro histórico
11. A Plaza Mayor e a Catedral. O coração colonial, com suas varandas e fachadas de madeira. Caminhe sem pressa.
12. O Convento de São Francisco. Suas catacumbas e sua antiga biblioteca impressionam qualquer um.
13. A Casa da Literatura Peruana. Numa antiga estação ferroviária, gratuita, dedicada à literatura do país.
14. El Jirón de la Unión a pé. A rua pedonal do centro, cheia de arquitetura e vida.
15. O Parque do Muro. Restos da antiga muralha de Lima junto ao rio. Verde e história.
Museus e cartas
16. O Mali (Museu de Arte de Lima). O grande museu da cidade, da arte pré-colombiana à contemporânea, num palácio de exposições. Escolha um quarto e fique.
17. Museu Larco. Cerâmica pré-colombiana e ouro em casarão com jardins floridos. Um dos mais bonitos.
18. Casa Museu Mario Vargas Llosa. Dedicado ao ganhador do Prêmio Nobel peruano, uma viagem por sua vida e obra que inspira qualquer escritor.
19. Larcomar ao pôr do sol. O centro comercial na falésia, onde o interessante não são as lojas mas sim a vista do Pacífico desde as suas esplanadas.
20. Um cinema de arte ou um café com notebook. Uma função autónoma ou simplesmente uma mesa junto à janela com um café e um tempo para escrever.
Como tirar mais energia do seu encontro em Lima
Lima tem um clima particular: grande parte do ano é coberta por uma neblina baixa, a garúa, que deixa a cidade cinzenta. Longe de ser um problema para o encontro com o artista, aquele céu plúmbeo tem uma beleza melancólica própria, muito apreciada por escritores e pintores de Lima. Aproveite: um passeio pelo calçadão em meio à neblina, com o som do Pacífico abaixo, é uma experiência estética que nenhum cartão postal ensolarado consegue igualar. E quando o sol aparece, o pôr do sol sobre o oceano mais do que compensa isso.
Organize o agendamento por bairro para não perder tempo com traslados: um dia todo o Ravina, outro Miraflores e seu calçadão, outro o centro histórico. Cada zona tem o seu carácter e explorá-la a pé permite-lhe absorver detalhes que lhe escapam de carro. Não se esqueça que Lima é também uma das capitais gastronómicas do mundo: sentar-se sozinho numa cevicheria ou numa cafetaria especializada, observando e tomando notas, é um encontro perfeitamente válido com o artista. A criatividade também entra pelo paladar. Leve sempre um caderno de bolso para registrar o que a cidade lhe oferece.
Deixe a data acontecer
O desafio de sempre: não escolher, mas aparecer. Reserve o espaço na sua agenda com dia e horário, vá mesmo que tenha preguiça ou se sinta estranho em ir sozinho, e não transforme isso em recados. Seu significado é que ele não “serve” para nada, exceto para preenchê-lo. Para mais ideias, consulte nosso 50 propostas de namoro e o guia para fazê-los com orçamento zero.
Uma nota final destinada a Lima: a cidade convida às reclamações – o trânsito, o trânsito, o barulho – e essa reclamação pode corroer a vontade de sair. Mas o encontro com o artista funciona justamente como um antídoto para essa inércia cinzenta. Você não precisa que o dia seja perfeito ou que o sol nasça; você precisa de duas horas para si mesmo e vontade de olhar. Você sai sem vontade e volta com o poço um pouco mais cheio. A citação alimenta a imaginação; as páginas matinais, todas as manhãs, desbloqueie-o. Juntos são o método completo, e a cidade – com o seu mar, o seu nevoeiro e a sua história – é o cenário perfeito para praticá-lo.