O método sensorial distribui cinco encontros com o artista ao longo de cinco semanas, dedicando cada um a um sentido: visão, audição, paladar, olfato e tato. Em cada encontro você faz uma atividade que desperta apenas esse sentido. Serve para se reconectar com o corpo, sair da mente saturada e nutrir a criatividade em todas as suas vias de entrada.
Por que focar a citação em apenas uma direção?
O encontro com o artista busca “encher o poço”: alimentar sua imaginação com novas impressões. E quase todas as impressões entram pelos sentidos. O problema é que vivemos com os nossos cinco sentidos entupidos – ecrãs que monopolizam a nossa visão, auscultadores que tapam os nossos ouvidos, fast food que embota o nosso paladar. Superestimulado e, ao mesmo tempo, entorpecido.
Dedicando uma citação inteira a um único significado acorde da sua anestesia. Ao retirar o ruído dos outros quatro, o sentido escolhido é refinado. É o mesmo princípio pelo qual fechar os olhos aguça a audição. Cinco semanas, cinco ajustes. Se este é seu primeiro contato com a ferramenta, comece com ideias básicas para encontros com artistas.
Semana 1 – A vista
Partimos do significado mais utilizado e, paradoxalmente, mais anestesiado. A consulta de audiência consiste em realmente olhe, sem telas no meio.
Ideias: passear por um bairro que você não conhece, olhando apenas as cores; vá a uma loja de tecidos ou tintas e veja as linhas; visite um mercado de flores; sente-se em um banco e observe a mudança de luz por meia hora; Percorra uma exposição fotográfica lentamente. A regra: sem fotos. Você não documenta, você observa. A câmera transforma o olhar em arquivamento. Para dias cinzentos, as ideias de compromissos em pequenos museus.
Semana 2 – A orelha
A consulta auditiva consiste em ouvir com atenção plena, algo muito raro em uma vida com música ambiente permanente.
Ideias: Sente-se num parque e separe as camadas de som – pássaros, trânsito distante, vozes, vento; vá a um show de um gênero que você não costuma ouvir; entrar em uma igreja ou sala com boa acústica; ouvir um álbum inteiro, do começo ao fim, sem fazer mais nada, de olhos fechados; Grave os sons da sua rua e reproduza-os mais tarde. A regra: apenas uma fonte de som por vez e nada de olhar para o celular enquanto ouve.
Semana 3 – Sabor
A citação do sabor é a mais doce e fácil de zombar, mas feita com cuidado é reveladora.
Ideias: compre três frutas que você nunca provou e prove-as aos poucos; visite uma loja de especiarias e cheire e prove; faça uma degustação de chocolate ou azeite; coma algo com os olhos fechados tentando identificar cada ingrediente; Prepare um prato de uma culinária que você não conhece. A regra: coma devagar e tranquilamente, sem telas, prestando atenção nas texturas e nuances. Esta semana combina muito bem com um encontro na cozinha, que desenvolvemos separadamente.
Semana 4 – Cheiro
O olfato é o sentido mais ligado à memória e à emoção, e aquele que menos cultivamos conscientemente. Uma data dedicada a cheirar abre portas inesperadas.
Ideias: passear por um jardim botânico cheirando cada planta; entrar em uma perfumaria e cheirar sem intenção de comprar; vá a uma padaria, a uma torrefadora de café, a uma fitoterapeuta; saia depois da chuva; Abra a gaveta de temperos e cheire um por um com os olhos fechados, deixando que cada aroma traga a lembrança que traz. A regra: pare em cada cheiro por alguns segundos e diga o que ele evoca.
Semana 5 – Toque
Encerramos o significado mais íntimo e esquecido de uma vida de teclados suaves e telas frias. A citação de toque se reconecta com a textura do mundo.
Ideias: Vá até uma loja de tecidos e toque em cada tecido; trabalha com argila ou plasticina sem intenção de fazer nada “certo”; anda descalço na grama, areia ou pedra; mergulhe na água - piscina, mar, banho demorado; acariciar um animal com total atenção; manipula objetos de diferentes texturas com os olhos fechados. A regra: vá devagar e deixe suas mãos explorarem. A lama, em particular, é um evento de toque imbatível porque combina textura, temperatura e jogo sem gols.
Como aproveitar ao máximo o plano
Três dicas para que as cinco semanas corram bem.
Escreva depois, não durante. Viva a data sem fazer anotações; Ao chegar em casa, anote em suas páginas ou em um caderno o que descobriu nesse sentido. A conexão com o páginas matinais feche o círculo.
Vá sozinho. A consulta com o artista é sozinha. Outra pessoa, por mais que goste, divide a atenção e reativa a conversa mental. O significado é melhor apurado na solidão.
Repita o ciclo. Cinco semanas não esgotam nenhum significado. Ao terminar, você pode recomeçar com novas atividades, ou ficar com o significado que mais te surpreendeu. Se depois do plano você quiser levar a prática para a natureza, veja o encontro com o artista nas montanhas.
O que fazer se um sentido for limitado
O plano dos cinco sentidos pressupõe que você tenha todos os cinco, e nem sempre é esse o caso. Se você tem alguma deficiência sensorial – visão subnormal, surdez, anosmia – o método não o exclui: ele é reorganizado. A ideia subjacente não é "usar os cinco sentidos", mas desperte os sentidos que você tem prestando total atenção a eles, um por um.
Se sua visão for limitada, passe mais semanas no tato, na audição, no olfato e no paladar, que provavelmente você já está mais afinado. Se não ouvir, a visão, o tato e o olfato oferecem um território muito rico: luz, texturas, aromas. A perda de um significado muitas vezes aguça os outros, e uma citação focada neles pode ser ainda mais reveladora.
O objetivo final de Cameron não é anatômico, mas de atenção: sair do piloto automático e sentir o mundo novamente com admiração. Isso é possível com os sentidos que cada um possui. Adapte o plano ao seu corpo e fique com o espírito: um encontro marcado, um sentido, atenção total, sem pressa.