Série · Encontro com o artista

Encontro com o artista para se sentir criança novamente: permissão para brincar novamente

Um encontro com o artista para se sentir criança novamente consiste em retornar, por algumas horas, às brincadeiras livres da infância: balançar, tomar sorvete sem culpa, comprar um quadrinho, pisar em poças. Júlia Cameron fala sobre a 'criança artista' dentro de nós. Esta citação o alimenta diretamente, em sua própria linguagem: a do jogo.

Leitura média · ~10 minutos · Através do caminho do seu artista

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REPLAY A permissão para se sentir criança novamente

Um encontro com o artista para se sentir criança novamente consiste em retornar, por algumas horas, às brincadeiras livres da infância: balançar, tomar sorvete sem culpa, comprar um quadrinho, pisar em poças. Júlia Cameron fala sobre a “criança artista” que existe em todos nós. Esta citação o alimenta em sua própria linguagem, a do jogo sem objetivo.

O artista infantil que paramos de ouvir

Cameron usa uma imagem que ressoa imediatamente em muitas pessoas: dentro de cada pessoa vive uma “criança artista”, aquela parte espontânea, curiosa e lúdica que quando crianças direcionava a nossa criatividade. Aquela criança não desenhava para vender o desenho nem cantava para ser apreciada. Ele jogava só porque, e tudo vinha de jogar sem propósito.

À medida que crescemos, aprendemos a reprimi-lo. Ensinam-nos que brincar é para criança, que temos que ser produtivos, que a arte só tem valor se for boa. O artista infantil não desaparece, mas permanece em silêncio. E com isso se extingue boa parte da nossa capacidade de criar livremente, pois passamos a fazer as coisas pelo resultado e com medo do julgamento.

Esta citação é um ato direto de reconexão. Em vez de trabalhar a criatividade a partir da teoria, você a reativa a partir de sua fonte: fazendo, por um tempo, exatamente o que aquela criança fez. Não é um desvio sentimental. Está indo para a raiz.

Por que o jogo grátis desbloqueia a criatividade

A brincadeira infantil tem uma característica que a criatividade adulta costuma perder: não busca resultados. A criança que constrói um castelo de areia não pensa se ficará bonito ou se alguém o aprovará. Aproveite o processo e, se uma onda o destruir, construa outra. Essa relação com o fazer – sem apego ao resultado, sem medo do fracasso – é precisamente o estado mental do qual brota a criatividade mais fértil.

Quando um adulto volta a brincar, mesmo que seja balançando em um parque vazio, ele recupera esse estado por um tempo. E não é só nostalgia: ao liberar a cobrança por resultados, a mente relaxa, a autocensura diminui e as ideias fluem com mais liberdade. Muitos artistas descrevem que seus bloqueios se dissolveram não mais trabalhando, mas brincando: desenhando rabiscos sem sentido, cantando terrivelmente, sendo bobos. O jogo retorna a criatividade à sua temperatura natural.

Ideias para o seu encontro de volta à infância

Balanços e escorregadores. Vá para um playground - de preferência em um horário tranquilo - e balance de verdade, com vontade de subir alto. A sensação física é a mesma dos sete anos.

Sorvete sem culpa. O sabor que você escolheu quando criança, numa casquinha, comida aos poucos, sentada na calçada olhando a rua.

Uma história em quadrinhos ou quadrinhos. Vá a uma loja de quadrinhos ou livraria e compre aquele quadrinho que você está devorando. Leia tudo de uma só vez.

Bolhas de sabão. Compre uma garrafa de bolhas por alguns euros e faça-as num parque ou na sua varanda. É impossível não sorrir.

Plasticina ou tintas a dedo. Materiais infantis, sem intenção de deixar nada bonito. Apenas o prazer da textura.

Salte poças. Um dia chuvoso, botas calçadas e pisar em poças de propósito, como quando você não se importava em se molhar.

Empine uma pipa. Um parque aberto, um pouco de vento e aquela mistura de concentração e risadas quando finalmente nasce.

Desenho animado. Assista aquela série que você assistia quando criança, de pijama, com o café da manhã que você tomava naquela época.

Permissão: como superar a vergonha

A resistência mais comum a esta citação é a modéstia. "O que eles vão pensar se me verem balançando?" Esse medo do ridículo é, nem mais nem menos, uma das cadeias que mantêm o artista adulto bloqueado. A mesma vergonha que te impede de balançar é a que te impede de mostrar seu trabalho ou de tentar algo novo.

Existem duas maneiras de pular essa barreira. A primeira é fazê-lo sozinho e num momento tranquilo, sem plateia. Sem testemunhas, a modéstia fica bastante reduzida e o jogo torna-se honesto. A segunda é aceitar que o ridículo, se aparecer, dura os primeiros dois minutos. Aí vem a diversão e você esquece que qualquer um poderia assistir. Quase ninguém olha, e quem olha sente inveja.

Dê a si mesmo permissão explicitamente. Diga em voz alta, se for preciso: "Durante as próximas duas horas, tenho permissão para brincar como uma criança." Essa permissão está na metade do caminho.

Brincar não é perder tempo

Vivemos numa cultura que mede o valor das horas pela sua produtividade, e é por isso que jogar quando adulto parece quase uma transgressão. Mas o brincar não é o oposto do trabalho criativo: é o seu fundamento. Os adultos que mantêm a capacidade de brincar também costumam ser os mais criativos, porque nunca se desconectam da fonte.

Esta citação se conecta especialmente bem com o trabalho de recuperar a criatividade quando adulto, e se você tem filhos, pode combiná-lo com ideias de citações de artistas com crianças pequenas —embora também seja aconselhável reservar algum tempo apenas para o seu próprio jogo. Para levar a redescoberta sensorial mais longe, o citação dos cinco sentidos É um complemento natural.

Seja criança novamente por algumas horas. Não para escapar da vida adulta, mas para lembrar de onde veio a sua criatividade antes de aprender a ter medo. Aquela criança ainda está lá, esperando que você lhe dê permissão para sair e brincar.

Perguntas frequentes sobre a consulta para se sentir criança novamente

Por que voltar à infância ajuda a criatividade?

Porque a criatividade nasce da brincadeira, e quando crianças brincávamos sem procurar resultados nem temer o ridículo. Júlia Cameron chama de 'criança artista' aquela parte espontânea que o adulto reprime. Recuperar o jogo livre reativa a criatividade desde sua fonte original, antes da autocensura.

Não é ridículo um adulto balançar?

Essa modéstia é exatamente o que a citação procura dissolver. A vergonha de brincar é uma das correntes que bloqueiam o artista adulto. Fazer isso sozinho, sem público, tira a pressão. E muitas vezes o ridículo dura os primeiros dois minutos; então vem o puro prazer.

Que atividades contam para esta nomeação?

Qualquer coisa que você fazia quando criança por puro prazer: balanços, escorregador, sorvete, quadrinhos, bolhas de sabão, massinha, pular em poças, empinar pipa, colecionar adesivos, assistir desenhos animados. Tudo o que te faz sorrir sem procurar utilidade.

Tem que ficar sozinho?

O clássico encontro com o artista é sozinho, e para esta versão ajuda especialmente: sem testemunhas, o pudor diminui e o jogo fica mais honesto. Se você trouxer crianças, poderá se divertir com elas, mas também reservar um tempo a sós para sua própria brincadeira.

Isso ajuda se eu nunca me considero criativo?

Sim, precisamente. Você não precisa ser um artista para ter uma criança interior que queira brincar. Esta nomeação não produz obras; reconecta-se com a capacidade de desfrutar sem objetivo, que é a base de toda criatividade e grande bem-estar.

Com que frequência isso deve ser feito?

Não há frequência fixa. Pode ser uma data especial quando você se sente tenso, exausto ou muito sério. Se você perceber que já faz um tempo que você não brinca ou ri sem motivo, provavelmente é a hora.

Recupere o artista que tocou sem medo

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Fontes

Este artigo desenvolve a ferramenta do encontro com o artista e o conceito de 'artista infantil' de Júlia Cameron (The Artist's Way, 1992). As ideias lúdicas são sugestões ilustrativas para se reconectar com a criatividade, e não uma prescrição clínica.