Hayao Miyazaki (n. 1941), cofundador do Estúdio Ghibli e diretor do Afastado de espírito y Meu vizinho Totoro, alimenta a imaginação através da observação atenta do mundo natural: caminhando, olhando nuvens, plantas e insetos sem pressa. Esta forma de recarregar a criatividade coincide exatamente com a encontro com o artista de Júlia Cameron: passeios dedicados a encher o poço de imagens e estímulos.
O animador que desenha o mundo porque olha para ele
Hayao Miyazaki nasceu em Tóquio em 1941 e é, para muitos, o melhor diretor de animação da história. Com o Estúdio Ghibli, fundado em 1985 junto com Isao Takahata e Toshio Suzuki, assinou filmes que cruzaram culturas: Meu vizinho Totoro, Princesa Mononoke, Afastado de espírito —Vencedor do Oscar—, O castelo em movimento, O menino e a garça. Seu mundo é instantaneamente reconhecível: florestas vivas, céus imensos, criaturas que respiram, comida que dá fome só de olhar para ela.
De onde vem toda essa vida visual? A resposta, se observarmos como Miyazaki funciona, não vem “da sua imaginação” no sentido mágico. Vem de algo muito mais concreto e muito mais imitável: de seu hábito de olhar o mundo real com atenção quase obsessiva.
Ande, olhe, observe o pequeno
Miyazaki é conhecido por sua relação com a natureza. Ele tem uma casa na montanha, caminha, observa as estações. No documentário O reino dos sonhos e da loucura, que o acompanha durante a produção de um filme, é constantemente visto parando para olhar: o movimento da água, o vôo de um inseto, o formato de uma nuvem, como a luz cai entre as árvores. Não parece "documentar"; Olha porque essa é a sua forma de estar no mundo e, aliás, a sua forma de se recarregar.
Essa observação paciente é o que mais tarde aparece em seus filmes transformado em magia. Quando uma cena de Ghibli te emociona porque o vento “realmente” move a grama, ou porque um personagem come com um prazer que você quase pode saborear, você está vendo o resultado de anos de Miyazaki percebendo coisas que a maioria das pessoas atravessa sem ver.
"É preciso viver devagar para poder ver. E é preciso ver muito para poder criar algo que valha a pena."
Ideia recorrente na obra e entrevistas de Hayao MiyazakiO encontro com o artista: sair para encher o poço
Aí vem Júlia Cameron com uma de suas práticas de duas estrelas. Junto com as páginas matinais, Cameron propõe o encontro com o artista: um passeio semanal solo dedicado a alimentar sua criatividade com estímulos. Não é para produzir nada. É para receber: olhar, ouvir, cheirar, tocar, surpreender-se. Cameron usa uma bela metáfora para explicar por que isso é importante: sua criatividade é como um poço, e toda vez que você acredita, você tira água disso. Se você não reabastecer, ele seca. A consulta com o artista é a forma de preenchê-lo.
O que Miyazaki faz quando caminha e observa é literalmente encher o poço. Cada inseto que ele olha, cada nuvem, cada jogo de luz, entra na sua reserva interior de imagens. Anos depois essa reserva transborda e vira filme. Não é uma coincidência nem um dom sobrenatural: é o resultado cumulativo de milhares de horas de atenção sensorial ao mundo. É o encontro com o artista transformado em modo de vida.
Por que a pressa mata a criatividade
Há um inimigo comum no método de Cameron e na forma de trabalhar de Miyazaki, e ele se chama pressa. Miyazaki é famoso pela lentidão: desenha à mão quadro a quadro, resiste aos atalhos digitais e defende um conceito japonês, o ma —o vazio, a pausa, o silêncio entre as coisas—como parte essencial dos seus filmes. Suas histórias respiram porque ele se permite respirar.
Cameron diria que a pressa é precisamente o que esvazia o poço sem o encher novamente. Produzir, produzir, produzir sem parar para receber novos estímulos leva à exaustão e bloqueio criativo. O encontro com o artista é um ato deliberado de lentidão: uma hora por semana em que Você não produz nada e, paradoxalmente, é quando você mais se alimenta para o seu trabalho futuro..
Caminhar não é perder tempo
Muitas pessoas criativas se sentem culpadas quando “simplesmente” saem para passear. Parece tempo perdido em comparação com horas de trabalho “produtivas”. Miyazaki prova o contrário com toda uma carreira: O caminhar, a observação, a lentidão não são o oposto do trabalho criativo; Eles são uma parte central disso. O cérebro faz muitas de suas melhores conexões quando caminha, longe da tela. Temos um artigo completo sobre isso em caminhar como uma prática criativa.
Da próxima vez que você estiver vagando, lembre-se de Miyazaki parando para olhar um besouro. Você não está desperdiçando seu tempo. Você está preenchendo o poço de onde virá a próxima coisa que você criar.
A paciência de desenhar à mão
Vale lembrar como Miyazaki realmente funciona, porque é coerente com todo o resto: durante décadas ele desenhou à mão, quadro a quadro, milhares de imagens para cada filme, resistindo aos atalhos digitais que teriam acelerado o processo. Esta lentidão não é o capricho de um velho mestre: é a convicção de que O tempo investido em cada gesto é perceptível no resultado, que o espectador percebe, mesmo sem saber por quê, quando algo foi feito com paciência e quando com pressa.
As páginas matinais compartilham essa fé na lentidão deliberada. Não procuram eficiência ou atalhos; Eles querem que você apareça todas as manhãs e passe algum tempo esvaziando sua mente manualmente. Num mundo que recompensa fazer mais em menos tempo, tanto Miyazaki como Júlia Cameron defendem o oposto: que a criatividade precisa do luxo da lentidão, e que esse luxo está ao alcance de qualquer pessoa disposta a dedicar alguns minutos por dia.
Como marcar seu encontro com o artista do estilo Miyazaki
- Saia sem um objetivo produtivo. Uma vez por semana, vá a algum lugar só para olhar: um parque, um mercado, um museu, um bairro que você não conhece. Não para conseguir nada, apenas para receber.
- Observe o pequeno. Como Miyazaki com seus insetos, pare nos detalhes que você normalmente ignora: texturas, sons, formato da luz. Aí está a matéria-prima da sua criatividade.
- Vá devagar e sem celular. A correria e a tela esvaziam o poço. Lentidão e atenção o preenchem. Deixe o telefone no bolso e caminhe.