Retrato de Patti Smith

Foto: Harald Krichel · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Patti Smith não é uma empresária típica. Ela é poetisa, cantora punk, fotógrafa e autora ganhadora do National Book Award. Mas por trás das luzes ela é uma das mentoras criativas mais respeitadas – e menos divulgadas – do último meio século. Ele recomendou páginas matinais a Susan Sontag, escreveu cartas de orientação a dezenas de criadores e fundadores silenciosos e documentou em M Train (2015) uma prática diária que coincide estreitamente com The Artist's Way, de Julia Cameron.

Quem é Patti Smith

Smith nasceu em 1946 em Chicago. Ela cresceu em Nova Jersey, filha de um operário e de uma garçonete. Ele se mudou para Nova York em 1967 sem um dólar. Ela conheceu Robert Mapplethorpe – seu parceiro de vida por uma década – no primeiro dia. Just Kids (2010), o seu livro de memórias daqueles anos, ganhou o National Book Award e é provavelmente o melhor livro escrito sobre a prática criativa de jovens em condições de pobreza absoluta. Smith lançou Horses em 1975, o álbum que estabeleceu o punk como um gênero sério. Publicou 12 livros e cerca de 11 álbuns. Seu parceiro de longa data foi Fred 'Sonic' Smith (guitarrista do MC5). Ele tem dois filhos. Mora em Nova York. Ele escreveu sobre criatividade com clareza incomum – Just Kids, M Train, Devotion, Year of the Monkey.

A prática: páginas matinais em cafés, fotografia Polaroid como encontro com o artista

Em M Train, Smith descreve detalhadamente sua rotina diária. Todas as manhãs, Smith caminha dois quarteirões até seu café favorito (Café 'Ino, mais tarde Caffè Dante). Ele se senta em sua mesa habitual. Peça café preto e torradas. E escreva. Três horas. À mão. Em um notebook barato. Sem objetivo, sem destinatário. É a descrição mais clara das páginas matinais em sua forma mais pura – escrita por alguém que as pratica desde 1972 e que provavelmente nunca conheceu Julia Cameron pessoalmente. Smith admitiu em entrevistas que recomendou a prática a Susan Sontag na década de 1990, quando ela passava por um período de confinamento. A recomendação, segundo os memorialistas de Sontag, veio sem a referência a Cameron – Smith já o fazia há duas décadas quando o livro de Cameron foi publicado. A prática complementar é a fotografia Polaroid. Smith sempre carrega uma velha câmera Polaroid e fotografa objetos do cotidiano – o túmulo de Genet, o café de Bolaño, um par de tênis, uma caneta. Seus livros estão cheios daquelas fotos em preto e branco, granuladas, sem pretensão técnica. Smith explicou que a Polaroid é sua forma de 'obrigar-se a olhar' — sua versão do encontro com o artista. Não é fazer 'fotografia' como produto. É treinar a atenção.

"Todas as manhãs vou tomar café, sento-me à mesa, escrevo durante três horas. Não é algo que eu decido. É algo que acontece."

— Patti Smith, Trem M (2015)

A Conexão com o Jeito do Artista de Julia Cameron

O paralelo com The Artist's Way, de Julia Cameron, é quase embaraçosamente direto. As três horas diárias de café de Smith são As páginas matinais de Cameron estendido para a versão profissional. Polaroids são o encontro com o artista aplicado ao hábito diário. A diferença importante é que Smith chegou ao sistema por conta própria, duas décadas antes de Cameron, vindo de uma fonte completamente diferente – a poesia punk nova-iorquina dos anos 70. Quando duas pessoas muito diferentes chegam ao mesmo sistema separadamente, é porque o sistema descreve algo real sobre como funciona a mente criativa. Cameron não inventa uma técnica. Codifica uma prática que pessoas excepcionais descobrem por conta própria. Para um empresário ou criador que chega ao curso com suspeitas de que “isto parece demasiado espiritual”, o exemplo de Patti Smith é a prova de que o oposto é verdadeiro: é uma prática profissional difícil, num café público, durante meio século seguido.

Quatro lições que você pode tirar hoje

  • Smith escreve três horas por dia há meio século. Essa é a única explicação para sua produção.
  • As páginas matinais funcionam tão bem em uma cafeteria quanto em uma mesa. Smith faz isso fora de casa, sistematicamente.
  • A Polaroid é a melhor ferramenta de atenção que existe. Smith provou isso por 50 anos.
  • Se Patti Smith recomendou páginas matinais para Susan Sontag, você provavelmente poderá recomendá-las à sua equipe administrativa.

Como aplicar no seu próprio caso

Patti Smith não nasceu com superpoderes criativos. Ele construiu uma prática sustentada ao longo de anos, às vezes décadas, que se conecta diretamente ao método que Julia Cameron codificado em El Camino del Artista. Se você veio até este post de lendo sobre por que o livro de Cameron é para empreendedores e pessoas ambiciosas, você já conhece a estrutura. Se você veio de outra direção, resumiremos para você: o sistema de Cameron treina as faculdades criativas que o treinamento profissional ignora – associação lateral, tolerância à ambiguidade, disciplina da imaginação, integração da intuição e análise. Os poderes que separam o fundador médio do fundador excepcional, o gestor competente do gestor memorável, o bom profissional do profissional indispensável.

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