Coyoacán e Tlalpan São os dois bairros mais criativos da Cidade do México para praticar o namoro com o artista: antigas cidades coloniais com praças de paralelepípedos, jardins centenários, livrarias, cafés e uma forte memória artística —Coyoacán foi o lar de Frida Kahlo e Diego Rivera. Eles oferecem ruas transitáveis, museus acessíveis e recantos tranquilos, ideais para a caminhada solo criativa proposta por Júlia Cameron em The Artist's Way.
Por que o sul do CDMX é diferente
A Cidade do México é vasta, barulhenta e muitas vezes exaustiva para a mente criativa. Mas tem um segredo: no sul preserva duas cidades antigas que foram absorvidas pela expansão urbana sem perder o carácter. Coyoacán e Tlalpan não se parecem com o resto da megalópole. Têm ruas de paralelepípedos, casas baixas e coloridas, praças com fontes e uma densidade de árvores que você encontra em poucos lugares da cidade.
Para quem pratica o Caminho do Artista, essa diferença é tudo. O encontro com o artista pede um ambiente que desacelere o ritmo, que ofereça imagens em vez de estímulos agressivos e que permita caminhar sem se sentir em perigo ou em corrida. O sul histórico do CDMX faz todas as três coisas. Não é por acaso que aqui viveram e criaram alguns dos artistas mais importantes do século XX mexicano.
Coyoacán: a cidade de Frida
Coyoacán - "lugar dos coiotes" em Nahuatl - é provavelmente o bairro mais literário e pictórico da cidade. Seu coração são duas praças contíguas, o Jardim Centenário e a Praça Hidalgo, rodeadas por portais, a igreja de San Juan Bautista e uma fonte com dois coiotes de bronze. Ali sentado, numa manhã de dia de semana, quando a multidão do fim de semana ainda não chegou, está um encontro clássico com o artista: há tocadores de realejo, vendedores de balões, gente lendo e luz filtrada pelos freixos.
A poucos quarteirões de distância fica o Casa Azul, o Museu Frida Kahlo, onde a pintora nasceu, viveu e morreu. Não é necessário entrar (embora valha a pena) para sentir a sua influência: a cor índigo da fachada, das paredes, todo o bairro respira a sua presença. Também nas proximidades fica a Casa Museu León Trotsky e a Biblioteca Nacional do Som, com os seus jardins silenciosos. E para a longa caminhada, o Viveiro Coyoacán oferece quilômetros de trilhas entre árvores: um bosque dentro da cidade, ideal para caminhar sozinho e deixar a mente vagar.
Tlalpan: o centro colonial mais tranquilo
Mais ao sul, Tlalpan preserva um centro histórico que muitos moradores da capital mal conhecem. A sua Plaza de la Constitución, com o quiosque, a freguesia de San Agustín e os casarões coloridos, tem o ar de uma cidade congelada no tempo. É menos turística que Coyoacán e, por isso, mais adequada para manhãs tranquilas: aqui é fácil encontrar um banco vazio e uma hora de silêncio.
Tlalpan é também a porta de entrada do Parque Nacional Fontes Brotantes e, além, de Ajusco, a montanha que coroa o sul da cidade. Para quem busca um encontro com o artista da natureza e do horizonte, subir até a floresta de coníferas e olhar todo o CDMX de cima é um poderoso antídoto ao bloqueio. O ar muda, o ruído desaparece e a perspectiva é reorganizada.
Ideias concretas para o seu encontro em cada bairro
Coyoacán, praça e data do café
Chegue cedo ao Jardim Centenário, sente-se em uma porta tomando um café quente e passe uma hora apenas observando: o comércio de rua, as fachadas, as pessoas. Depois, caminhe pelo Mercado de Coyoacán olhando as cores das frutas e das torradas sem comprar nada. Termine com um passeio pelas ruas de paralelepípedos de Francisco Sosa, uma das mais bonitas da cidade.
Tlalpan, citação de silêncio
Comece pela Plaza de la Constitución de Tlalpan, entre por um momento na freguesia e depois caminhe sem rumo pelas ruas do centro, olhando os casarões e pátios. Se tiver energia, continue até Fontes Brotantes para um encontro de água e árvores. O lema é não encher a manhã de tarefas: basta olhar.
Citação e palavra da livraria
Coyoacán está repleta de livrarias, muitas de segunda mão, ao redor das praças. Entrar sem lista de compras, navegar ao acaso e se deixar surpreender por um título é um encontro com o artista perfeito para dias de chuva ou de calor intenso.
Como planejar seu encontro com o artista no sul do CDMX
A logística é importante em uma cidade tão grande. Escolha uma das duas colônias por semana em vez de tentar cobrir ambas: o encontro com o artista exige profundidade, não quilômetros. Vá durante a semana ou no início do fim de semana, quando Coyoacán ainda não está lotado, e reserve pelo menos uma hora sem recados ou compromissos posteriores. A instrução é ir sozinho, sem fones de ouvido e sem usar o celular a não ser para se orientar.
Leve em consideração o clima e a altitude: o CDMX fica a mais de 2.200 metros, com frequentes tardes chuvosas na temporada. Traga uma jaqueta leve e algo para escrever. E planeje o transporte com calma; Boa parte do prazer é chegar sem pressa. Se um dia você não puder sair, um encontro interno - uma livraria em Coyoacán, um café com história - funciona igualmente bem: o essencial não é o lugar, mas a atenção com que você o habita.
A marca dos artistas que aqui viveram
Coyoacán não é criativo por acaso. Durante o século XX foi refúgio de pintores, escritores e exilados que deixaram a sua marca nas ruas. Frida Kahlo e Diego Rivera são os nomes mais famosos, mas a colônia também atraiu intelectuais de meio mundo, e essa densidade cultural continua pulsando em seus museus, livrarias e cafés. Andar por aí ciente dessa história adiciona uma camada de significado à citação.
Não se trata de transformar o passeio numa visita guiada ou de acumular dados, mas de deixar que a memória do local o acompanhe. Saber que pessoas que fizeram da criatividade a sua vida percorreram essas mesmas ruas pode ser, por si só, um incentivo silencioso. O encontro com o artista se nutre tanto do que você vê quanto do que você evoca enquanto olha.
Prepare seu caderno antes de sair
Uma consulta com o artista fica muito melhor se você levar um caderninho e algo para escrever, mesmo que não o use. Sua função não é documentar tudo – isso quebraria a atenção – mas registrar, na hora, uma imagem que mexeu: a cor de uma fachada da rua Francisco Sosa, uma conversa ouvida de passagem, a luz filtrada pelos freixos do Jardim Centenário. Uma linha é suficiente; Sua memória fará o resto durante a semana.
Coyoacán e Tlalpan são especialmente generosos com estes detalhes porque preservam uma escala humana que convida a olhar devagar. Em vez de fotografar, treine-se para descrever o que vê com palavras: isso obriga o olho a parar e a mente a traduzir a imagem em linguagem, que é o gesto do qual nasce grande parte do trabalho criativo. Ao voltar para casa, deixe o caderno fechado por alguns dias. Ao abri-lo, essas notas mínimas serão sementes prontas para brotar em seus projetos.