Um dos exercícios mais poderosos do El Camino del Artista Não se trata de criar algo novo, mas de recuperar algo que você já perdeu: as coisas que você gostava de fazer e que deixou para trás “porque cresceu”. Dançar descalço, pintar sem pretensões, ler quadrinhos, cantar no carro, subir em árvores, cozinhar, ouvir música sem fazer mais nada. Julia Cameron chamado assim o mapa da privaçãoe funciona como um mapa do tesouro para sua criatividade bloqueada.

Se você sente que sua criatividade está esgotada, que algo está saindo do controle quando você tenta criar, ou que você perdeu a centelha que tinha antes, muitas vezes é no mapa de privação que está a resposta. Não é que você precise inventar coisas novas. É que você precisa voltar para o que deixou.

Neste artigo mostro o que é exatamente esse exercício, como fazê-lo passo a passo e por que funciona mesmo quando parece que você não está fazendo nada de especial.

Qual é o mapa de privação

O mapa de privação é uma lista exaustiva de todas as coisas que você costumava fazer que traziam alegria à sua vida criativa, mas parou de fazer. Não é um diário de arrependimento. É um raio X de onde o poço secou.

Quando Julia Cameron fala de “privação”, não se refere à pobreza económica. Refere-se ao privação emocional e criativa: o que você tinha e perdeu. Brincadeira, liberdade, prazer em atividades sem propósito. Todas aquelas coisas que você deixou para trás porque “eu tive que crescer” ou “não tenho tempo” ou “isso era coisa de criança”.

“Nossas perdas criativas são feridas. O mapa de privação é o primeiro passo para curá-las.”

— Julia Cameron, O Caminho do Artista

A beleza deste exercício é que ele não requer talento, não exige que você seja “bom” nisso. Requer que você tenha encontrado a alegria uma vez. E que você está disposto a encontrá-lo novamente.

Como fazer seu mapa de privações

Este exercício está dividido em cinco etapas claras, mas não apresse o processo. Cada degrau é uma porta que abre o próximo:

Passo 01

Escreva "Eu costumava..." dez vezes

Pegue papel e caneta e complete a frase "Eu costumava..." pelo menos dez vezes. Eu costumava dançar. Eu costumava desenhar. Eu costumava ler romances de fantasia. Eu costumava costurar roupas. Eu costumava tocar violão. Eu costumava andar sem direção. Eu costumava brincar. Qualquer que seja. Escreva rápido, sem julgar, sem pensar se faz sentido.

Passo 02

Para cada um, pergunte-se quando e por que você saiu

Ao lado de cada “costumava”, anote quando você parou. Você não precisa da data exata: “no ensino médio”, “quando comecei a trabalhar”, “quando alguém me disse que eu não era bom”. E escreva o porquê. Às vezes o motivo é claro. Às vezes é um fantasma.

Passo 03

Marque aqueles que te deram furo

Ao escrever sua lista, algumas coisas farão você sentir um aperto no peito. Nostalgia aguda. Pesar. Às vezes até uma raiva silenciosa. Verifique isso. Eles são os mais importantes. São as portas por onde passou a sua criatividade.

Passo 04

Escolha UM e faça isso esta semana

Amanhã não. Essa semana. E não espere que tudo esteja perfeito, ou que tenha “tempo real”, ou que consiga os materiais certos. Se você desenhava, desenhe agora, com o que tiver. Se você costumava dançar, toque música esta noite. Se você costumava ler poesia, abra um livro de poesia amanhã. A ação é tão importante quanto a atividade em si.

Passo 05

Escreva como você se sentiu nas páginas matinais

No dia seguinte, nas páginas matinais, escreva sobre a experiência. O que saiu? Foi desconfortável? Libertador? Você se lembrou por que o amava? Você não precisa ter uma revelação. Você só precisa escrever o que aconteceu em seu corpo e em seu coração.

"As coisas que você deixa ir não estão mortas. Elas estão apenas dormindo, esperando que você as chame de volta."

Por que funciona

À primeira vista, recuperar uma atividade abandonada parece um retrocesso. Acreditamos que o crescimento está avançando e não retrocedendo. Mas Cameron sabia de algo que a psicologia criativa confirmou desde então:

1. Você reconhece as perdas (e pode começar a curá-las)

Antes deste exercício, muitas pessoas não se permitem reconhecer que estão sofrendo por vidas não vividas. É mais fácil fingir que não importa. Mas que o luto bloqueado é exatamente o que seca o poço criativo. Escrever “Eu costumava dançar” e sentir a dor é o primeiro passo para se permitir sentir a dor. E quando você sentir a dor, poderá começar a curá-la.

2. Você descobre padrões (sobre você)

Ao fazer a lista, você começará a ver um padrão. Talvez todas as coisas das quais você desistiu tenham algo em comum: exigem estar sozinho, ou exigem o uso do corpo, ou exigem brincadeiras casuais e sem objetivo. Esses padrões informam o que sua criatividade precisa agora. Se todas as coisas das quais você desistiu eram atividades solitárias, seu bloqueio pode ser porque você não está honrando sua necessidade de solidão. Se fossem coisas que você fazia com seu corpo, talvez você precisasse de movimento.

3. Você recupera combustível criativo

Aqui está a verdadeira magia: quando você faz uma dessas coisas novamente, algo em você se ilumina. Não é que a atividade em si seja criativa. É que a alegria que você sentiu ao fazer aquilo é o mesmo combustível que alimenta toda a sua criatividade. É a mesma energia. Recuperar uma pequena coisa – dançar durante dez minutos, ler uma banda desenhada, cantar – é como deitar gasolina a sério num tanque que está vazio há meses.

Exemplos de privações comuns

Se você não sabe por onde começar com sua própria lista, aqui estão algumas dificuldades que ouvi repetidas vezes:

Perguntas mais frequentes

E se eu não me lembrar do que costumava fazer?

Pergunte ao seu corpo. Seu corpo se lembra. Feche os olhos e imagine a casa de sua infância, sua turma, suas mãos. O que eles estavam fazendo? Muitas pessoas descobrem a sua privação através da nostalgia: aquela estranha tristeza que sentem ao ver os outros fazerem algo que já não se permitem fazer. Isso é uma pista. Siga-o.

E se a atividade me parecer muito infantil?

Exato. Se ela lhe parece infantil, provavelmente é porque alguém o convenceu de que crescer significava abandoná-la. Cameron diria que a “criança criativa” dentro de você não se torna adulta, ela simplesmente cresce enquanto permanece criança. Subir em árvores aos 40 anos não é infantil: é corajoso. É permitir-se alegria sem justificativa.

Tenho que ser bom no que faço?

Completamente não. Na verdade, ser “bom” é exatamente o que mata esse exercício. A questão é alegria, não perfeição. Se você desenhava e não o fazia bem, desenhe mal. Com a mesma alegria de uma menina que não pensa em críticas.

E se fazer isso me deixar triste?

Isso está ok. Além do mais, é necessário. Tristeza é a dor vindo à tona. Cameron diz que as lágrimas fazem parte do trabalho criativo – é assim que o bloqueio se dissolve. Chore se precisar chorar. Mas depois continue fazendo a atividade. A alegria está do outro lado da tristeza.

Posso descobrir coisas novas em vez de recuperar coisas antigas?

Você pode fazer as duas coisas. Mas o mapa da privação funciona porque estamos percorrendo o caminho de volta para nós mesmos, e não o caminho da fuga. As coisas novas que você descobre criativamente agora serão mais autênticas se você primeiro recuperar o combustível da sua criatividade original.

O que você deixou para trás está esperando por você

Sua criatividade bloqueada não é um mistério. Não é que você não tenha inspiração. É que você abandonou as fontes onde procurava água. O poço não está quebrado. Só está coberto pela poeira dos anos, pelos “deveria”, pelas vozes que te diziam que crescer significava abrir mão da alegria.

O mapa da privação é o mapa para desencavar isso. Não é uma viagem nostálgica. É uma escavação arqueológica da sua própria alma criativa. E o que você encontrará lá é você mesmo, a versão sua que nunca deveria ter deixado de existir.

Então pegue um pouco de papel. Escreva "Eu costumava...". E faça isso. Não porque seja produtivo. Mas porque os grandes artistas sabem uma coisa: a melhor arte vem sempre da alegria. E sua alegria nunca foi embora. Eu só estava esperando você voltar.

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