Este é o ponto onde muitos leitores de Cameron param. Espiritualidade. O universo. Uma “força criativa” maior que nós. Se você é cético, é compreensível. Cameron escreveu para ambos.

Este é o ponto onde muitos leitores de Cameron param. Espiritualidade. O universo. Uma “força criativa” maior que nós. Se você é cético, é compreensível. Se você também é crente. Cameron escreveu para ambos.

O que Cameron propõe (e o que ele não propõe)

Cameron não pede que você acredite em Deus ou em qualquer religião específica. O que ele pede é algo mais sutil: que você considere a possibilidade de que Criatividade não é algo que você produz, mas algo que passa por você. Que você é um canal, não uma fábrica.

A diferença prática é enorme. Se você é uma fábrica, toda a pressão recai sobre você: você tem que gerar as ideias, tem que ser brilhante, tem que produzir. Se você é um canal, seu trabalho é estar aberto. E quando o canal está limpo — quando você elimina o ruído com as páginas matinais, quando você alimenta o poço com a citação do artista — as ideias fluem.

"A criatividade é um ato de fé. Você não precisa saber em que acredita, apenas que acredita em algo maior que o seu medo."

-Júlia Cameron

A ideia do Grande Criador

Cameron usa a expressão "Grande Criador" (Grande Criador) para se referir a essa força, seja ela qual for para você. Pode ser Deus, o universo, a natureza, o subconsciente coletivo ou simplesmente a intuição profunda. O nome não importa. O que importa é o relacionamento.

Tratar-se como um canal muda a maneira como você se sente em relação à criação. Você não precisa mais ter todas as respostas antes de começar. Você pode fazer uma pergunta e confiar que algo acontecerá. As páginas matinais, aliás, funcionam exatamente assim: você começa sem saber o que vai escrever, e alguma coisa aparece.

Para os céticos

Se tudo isso lhe parece um pensamento mágico, Cameron pede apenas um experimento: aja como se fosse verdade por doze semanas. Você não precisa acreditar. Você só precisa experimentar. Se no final do processo não funcionou, você pode voltar ao seu ceticismo com os dados.

A maioria dos céticos que fazem o experimento descobrem honestamente que algo muda. Não necessariamente sua visão de mundo, mas sim sua relação com a incerteza. E acontece que criar exige, fundamentalmente, estar confortável em não saber.

“Pular no vazio e descobrir que existe uma rede é a experiência mais comum entre quem se compromete com a criatividade.”

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